7 livros para entender a importância do feminismo negro


Nas últimas semanas, a internet foi tomada por diversos discursos que repudiaram severamente a morte de George Floyd, morto asfixiado por uma policial branco nos Estados Unidos. O caso alimentou o debate sobre o racismo e levantou novos questionamentos sobre a atuação das forças policiais contra a comunidade negra. 

No Brasil, o estudante João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, morreu baleado dentro de casa durante uma operação conjunta das polícias Federal e Civil do RJ no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro. O menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, morreu após cair do 9º andar de um prédio de luxo no Centro do Recife. No momento do acidente, ele tinha sido deixado pela mãe — que é doméstica e estava na parte de baixo do prédio passeado com o cachorro dos patrões — aos cuidados da patroa dela, a primeira-dama de Tamandaré, Sari Corte Real. 

O feminismo, com diferentes vertentes, dialoga com mulheres de classe, sexualidade e raça distintas. É importante frisar a diversidade que há dentro do feminismo - sabendo disso - é de extrema importância que saibamos reconhecer o valor do feminismo negro e os motivos pelos quais ele é importante para a nossa sociedade. Nesta lista, estão 7 indicações de escritoras e obras que são fundamentais para entendermos melhor o feminismo e o movimento negro dentro deste âmbito. 


Título: Mulheres, Raça e Classe
Autor: Angela Davis 
Páginas: 331
Editora: Boitempo Editorial

Um livro que nos conduza a uma sociedade livre de qualquer tipo de opressão. O entrelaçamento realizado pela autora entre os âmbitos econômico, político e ideológico pelo ponto de vista da produção escravista e capitalista, nos permite enxergar como as diversas opressões se combinam e se entrecruzam na sustentação de projetos de dominação de classe. Além disso, a autora também discute a ausência de uma literatura nesse período que trate da mulher negra dentro desse contexto de violência e desigualdade, negando, pois, o mito do matriarcado, que coloca a mulher na esfera doméstica, ‘protegida’ pelo rótulo de dona da casa.
"Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela."


Título: Quem tem medo do feminismo negro? 
Autor: Djamila Ribeiro 
Páginas: 140
Editora: Companhia das Letras

Atualmente uma das autoras mais faladas no Brasil, Djamila aborda em seu livro um pouco de sua trajetória, trazendo reflexões profundas a respeito do feminismo negro e questões raciais. A obra nos remete ao entendimento de como o racismo é cruel no Brasil, algumas das temáticas abordadas é o ataque as celebridades negras, a intolerância religiosa de matriz africana e a política de cotas raciais. O livro é uma ótima leitura para quem quiser entender um pouco mais sobre o racismo estrutural impregnado na sociedade contemporânea brasileira.

"A construção da mulher negra como inerentemente forte era desumana, Somos fortes porque o Estado é omisso, porque precisamos enfrentar uma realidade violenta. Internalizar a guerreira, na verdade, pode ser mais uma forma de morrer. Reconhecer fragilidades, dores e saber pedir ajuda são formas de restituir as humanidades negadas. Nem subalternizada nem guerreira natural: humana."

Título: O feminismo é para todo mundo 
Autor: Bell Hooks 
Páginas: 187
Editora: Rosa dos Tempos

A obra explora diversos âmbitos da história do feminismo e nos remete a contexto atual da importância de juntar-se ao movimento. Bell retrata em sua obra uma narrativa simples e acessível justamente abordando o ponto de que o feminismo é, muitas vezes, intitulado apenas como um assunto acadêmico e rebuscando demais, a autora quebra todo esse paradigma reforçando a ideia de que o feminismo é para todo mundo. Os capítulos sobre raça e classe são escritos brilhantemente. Ela explora a vivência da mulher negra dentro do feminismo e de como elas viveram - e ainda vivem - a invisibilidade por causa do protagonismo privilegiado das mulheres brancas.

"Se qualquer mulher sentir que precisa de qualquer coisa além de si para legitimar e validar sua existência, ela já estará abrindo mão de seu poder de se autodefinir, de seu protagonismo."


Título: Profissões para mulheres e outros artigos feministas 
Autor: Virginia Woolf
Páginas: 58
Editora: L&PM Pocket

A autora questiona neste livro a visão tradicional que a sociedade tem a cerca da mulher como o "anjo do lar", ela expõe as dificuldades da inserção feminina no mundo profissional e intelectual de uma época que mantinha um pensamento retrogrado. Em tempos em que vivemos uma pulverização de opiniões a respeito do real papel de que o lugar da mulher é aonde ela quiser, Virginia traz critica e reflexões que servem de exemplo para todos os tempos.

"A verdade é que eu sempre gosto das mulheres. Gosto da falta de convencionalismo delas. Gosto da integridade delas. Gosto do anonimato delas."





Título: Sejamos todos feministas 
Autor: Chimamanda Ngozi Adiche
Páginas: 38

Editora: Companhia das Letras

O livro é bem curtinho e tem uma leitura bem fluida, a obra é uma introdução ao feminismo, a escritora relata que o feminismo é apenas a busca por direitos sociais e políticos iguais e que não é um assunto somente de mulher, mas sim que todos devem ser FEMINISTAS. O livro é baseado em um discurso da Chimamanda durante uma conferência no TED.

“O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos.”





Título: Lugar de fala
Autor: Djamila Ribeiro
Páginas: 90
Editora: Pólen Livros


Este livro pertence a coleção chamada Feminismos Plurais, que abrange as interseccionalidades das desigualdades a partir do olhar de autoras(res) negras(os). A autoria dialoga com mulheres acadêmicas, militantes e literatas, se posicionando enquanto feminista negra e militante, esse local de fala faz com que ela se comprometa em viabilizar a visibilidade teórica dessas outras falas femininas na construção de um conhecimento que perpassa pela filosofia. Djamila deixa claro a importância de falarmos e enquanto tivermos forças falaremos.

“A reflexão fundamental a ser feita é perceber que, quando pessoas negras estão reivindicando o direito a ter voz, elas estão reivindicando o direito à própria vida”.



Título: Pequeno manual antirracista
Autor: Djamila Ribeiro
Páginas: 136
Editora: Companhia das Letras

O livro traz dez breves lições para entendermos o racismo e como combatê-lo, abordando assuntos como a negritude, branquitude, violência racial e cultura. A autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas. Reconhecer as raízes e o impacto do racismo é fundamental para argumentar que a prática antirracista é urgente e se dá nas atitudes mais cotidianas. E mais ainda: é uma luta de todas e todos.

"Disseram-me que a população negra era passiva e que "aceitou" a escravidão sem resistência.Também me disseram que a princesa Isabel havia sido sua redentora. No entanto, essa era a história contada do ponto de vista dos vencedores, como diz Walter Benjamin. O que não me contaram é que o Quilombo dos Palmares, na serra da Barriga, em alagoas,perdurou por mais de um século, e que se organizaram vários levantes como a reforma da resistência à escravidão, como a Revolta dos Malês e a Revolta da Chibata."

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