07 fevereiro 2018

"A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra" possui uma ideia bacana, porém mal conduzida



Você já se interessou por um livro devido o seu título? Caso a resposta seja sim, um alerta: cuidado! Não apenas com os títulos, mas também com capas e sinopses. Falando sobre isso, “A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra”, é um bom exemplo, infelizmente, de uma obra que possui um título interessante, capa bonita e premissa instigante, entretanto, tudo aos poucos vai se tornando maçante.

Escrito por Robin Sloan, o livro é narrado em primeira pessoa por Clay, um rapaz que acaba de conquistar um emprego na Biblioteca 24 horas do Mr. Penumbra. Nas primeiras páginas o personagem faz um breve resumo dos motivos que o levaram a buscar uma vaga no local, entre eles, a crise financeira no país, e consequentemente, sua demissão do emprego na área de design e publicidade, da qual é especialista.

Apesar da felicidade ao se ver novamente empregado, as coisas começam a ficar esquisitas quando o jovem é instruído pelo dono a não olhar, em hipótese alguma, o conteúdo dos livros presente nas altíssimas estantes, colocadas depois do balcão, em que ele deverá atender os clientes. Com o passar do tempo, Clay percebe que os exemplares são destinados a um grupo específico de pessoas, e que normalmente, elas solicitam o mesmo título, como um clube secreto de leitura. O jovem considera os clientes vips, por assim dizer, estranhos e sombrios. E com isso, ele vai totalmente contra a ordem dada por seu chefe, ao abrir os livros e perceber que nas páginas existem vários códigos sem sentido, ao menos para ele.

É inevitável o leitor não se sentir como o Clay, isto é, almejando descobrir do que realmente se trata a biblioteca. No entanto, com o passar das páginas a história vai perdendo todo o clímax inicial. Afinal, apesar do livro dispor, a principio, de um bom enigma, as ações do protagonista demonstram imaturidade e isso torna, aos poucos, a leitura massante. Em contrapartida, outros personagens são inseridos à história, tornando a leitura razoavelmente agradável, mas ao mesmo tempo evidenciando o fato de que qualquer outro personagem narraria, este mistério, de uma forma muito mais interessante, madura e surpreendente. Clay é um personagem adulto, mas com diversas atitudes infantis, como por exemplo, quando só se empenha, de fato, em solucionar o enigma com a finalidade impressionar Kat, uma garota que conhece e começa a flertar. Suas atitudes vão amadurecendo com o tempo, inclusive em relação à solução dos segredos da biblioteca, mas mesmo assim não são convincentes.

O livro, de fato, possui seus problemas. Mas, também há alguns pontos positivos que valem ser mencionados, entre eles, a pesquisa feita pelo autor em relação à literatura e tecnologia é muito enriquecedora, além de bem aplicada no decorrer da ficção. Assim como, os personagens coadjuvantes que salvaram o livro em inúmeros momentos. Todavia, as falhas se sobressaem, pois são muitas. A primeira, é a já citada escolha do personagem principal; Clay até poderia permanecer sendo o protagonista da história, mas ele não contribuiu muito como narrador, já que sua visão de mundo muitas vezes é contrária as suas ações. O mesmo pode ser dito do mistério rondando a livraria, era de se imaginar que algo muito sério estivesse ocorrendo ali, mas o autor optou por um velho clichê. Ele poderia ter trabalhado muito bem essa temática, mas ao invés disso, optou por se manter na margem, ou seja, sem inserir nada novo. Outro ponto gritante são os diálogos, que em alguns momentos são extremamente rasos; a impressão é que os personagens estão cansados de toda a situação em que mergulharam de cabeça, o que não é difícil compreender.

Ao todo, o escrito de Sloan não surpreende como promete. Aliás, é o tipo de história que engana o leitor em vários momentos, criando expectativas de que algo irá acontecer, porém nada ocorre. "A livraria 24 horas do Mr. Penumbra" não é uma leitura extremamente ruim, tem seus momentos agradáveis, principalmente no começo, quando as características da biblioteca são descritas, ou quando os personagens secundários ganham maior visibilidade. No geral, a obra é exaustiva e decepcionante; o livro tinha tudo para ser, no mínimo legal, entretanto, tornou-se previsível e enfadonho. O autor possuía uma boa ideia, mas parece não ter feito as escolhas certas para o desenvolvimento da mesma, infelizmente.

- É muito difícil. E isso é o quê? Mil anos? O que vem depois disso? O que poderia vir depois disso? A imaginação se esgota. Mas faz sentido, não faz? Nós provavelmente só conseguimos imaginar essas coisas com base no que já conhecemos, e as nossas analogias terminariam no século 31.


Título: A livraria 24 horas do Mr. Penumbra. 
Autor (a): Robin Sloan. 
Editora: Novo Conceito.
Ano de publicação: 2013.
Número de páginas: 288. 
Avaliação: 2/0. 

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