Crítica | 4ª temporada de “Black Mirror” não é boa, muito menos ruim… A palavra chave é: mediana




Você já assistiu Black Mirror? Ou talvez tenha ouvido alguém usando a expressão: “Isso é tão Black Mirror”? A série é de origem britânica e traz à tona o relacionamento da sociedade contemporânea entre si e a tecnologia. No dia 29 de dezembro de 2017, foi lançada a 4ª temporada, onde foram disponibilizados seis episódios, entre eles: “Arkangel", dirigido por Jodie Foster; "Crocodilo", de John Hillcoat (A Estrada); "Black Museum", estrelado por Letitia Wright (Pantera Negra); "Hang the DJ", de Timonthy Van Patten (Game of Thrones); "Metalhead", de David Slade (Deuses Americanos); e "U.S.S. Callister", paródia de Star Trek dirigida por Toby Haynes (Doctor Who).

A série, de modo geral, continua seguindo um ritmo similar, mas ao mesmo tempo é possível notar mudanças gritantes desta temporada com as anteriores. Aliás, tais mudanças vêm ocorrendo desde a terceira temporada, quando os episódios se tornaram mais esclarecidos e romantizados. Há várias sugestões para o surgimento das alterações, uma das mais mencionadas, é a venda da série para a Netflix, um  dos maiores serviços streaming do mundo, que têm como objetivo alcançar todos os públicos. É de se imaginar que Netflix, ao reparar que a série havia caído nas graças da sociedade, percebeu que a mesma deveria se enquadrar nas necessidades de todos, inclusive dos que preferem um conteúdo de fácil compreensão.

Cena presente no episódio "Arkangel", onde a garota se corta ao tentar enxergar seu próprio sangue, porém sua visão é automaticamente desfocada. 
Comparada com as primeiras temporadas, a quarta não apresenta o mesmo nível de complexidade, porém não é ruim, pelo contrário, possui momentos impactantes e de reflexão, características comuns na série. Mas, a sensação é de que tudo poderia ter sido melhor desenvolvido. Um bom exemplo, é o segundo episódio intitulado “Arkangel”, que apresenta a história de uma mãe (Rosimarie Dewitt), que opta por instalar um sistema de monitoramento em sua filha. O equipamento possibilita que a mulher tenha acesso a tudo o que a criança vê, sente, seu quadro clínico, e até mesmo pode distorcer a visão da garota quando a mesma for exposta a algum tipo de imagem que traga conflito ou a aflição. As ações tomadas pela mãe, por si só, já são dignas de reflexão sobre assuntos como privacidade, liberdade e proteção. Entretanto, por mais que o tema seja interessante, nada de surpreendente ocorre, do contrário, apenas o óbvio: a relação entre a mãe e filha só entram em conflito, quando a criança torna-se uma adolescente e começa a viver as experiências presentes, ou não, nesta fase da vida.

O maior problema encontrado nessa temporada, sem sombras de dúvidas, foi a vinda de técnicas que transformaram o desenvolvimento dos episódios em algo comum e bastante explicativo, fazendo com que a série seguisse um caminho oposto a sua proposta inicial, isto é, um material complexo, chocante e voltado para debates, mas que agora também pode ser visto apenas como um boa fonte de entretenimento.  Outro problema encontrado foi no final de alguns episódios, que foram bastante vagos e corridos. Ao todo, a 4ª temporada de Black Mirror não é boa, muito menos ruim… A palavra-chave é: mediana; não chega a decepcionar, porém não instiga, é apenas um material para consumir e possivelmente esquecer após alguns minutos ou horas. A pergunta que paira na mente é a seguinte: “Isso é mesmo tão Black Mirror?’”.

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